Quem precisa de pista? Aérea quer pousar no mar e em campos

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(Bloomberg) — O próximo slogan de uma das empresas aéreas de mais rápido crescimento do mundo poderia ser: “Não tem pista? Não tem problema!”.

A SpiceJet, empresa aérea de baixo custo da Índia que viu o valor de suas ações se multiplicar por 10 em três anos, quer abrir ainda mais o terceiro maior mercado de aviação do mundo. Isso significa atender um bilhão de indianos que nunca voaram antes porque não podem pagar ou porque não vivem perto de um aeroporto operante.

A empresa aérea negocia com a japonesa Setouchi Holdings a compra de cerca de 100 aviões anfíbios Kodiak capazes de pousar em qualquer lugar, inclusive na água, no cascalho ou em um campo aberto. O negócio, avaliado em cerca de US$ 400 milhões, ajudaria a SpiceJet a capitalizar o ambicioso plano do primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi, para conectar esse vasto país por via aérea sem precisar esperar pela bilionária atualização de uma infraestrutura da era colonial.

“Os aeroportos são escassos na Índia”, disse o presidente do conselho da SpiceJet, Ajay Singh. “Boa parte do crescimento da Índia está ocorrendo em pequenos mercados, mas esses pequenos mercados têm pouca ou nenhuma conectividade. Por isso estamos procurando uma solução para levar voos a lugares onde não há aeroportos.”

As negociações continuam e a Setouchi, que tem sede em Hiroshima, planeja realizar um pouso demonstrativo na água em novembro, disse Go Okazaki, diretor administrativo e executivo da divisão de negócios internacionais. Ele não pôde estimar quando o negócio será concluído.

As empresas aéreas da Índia atenderam 100 milhões de passageiros domésticos no ano passado, o que transforma o país no terceiro maior mercado do mundo, atrás de China e EUA. Para lidar com o crescimento, a Índia precisará de pelo menos 2.100 novos aviões no valor de US$ 290 bilhões nos próximos 20 anos, estima a Boeing.

Modi apresentou um plano em 2015 para levar a aviação às regiões mais remotas da sétima maior massa terrestre do mundo. O programa do governo subsidia passagens aéreas e oferece pouso e estacionamento gratuitos para empresas aéreas. Modi prevê que a venda de passagens domésticas vai quintuplicar na próxima década, para meio bilhão de unidades.

Cerca de 97% da população da Índia, de 1,3 bilhão de habitantes, nunca entrou em um avião, segundo a SpiceJet. Mas encontrar lugares para receber e deixar esses passageiros é um problema.

Atualmente, apenas umas 75 das 450 áreas designadas pelo governo indiano como aeroporto ou pista de pouso operam voos comerciais. Isso aumenta a pressão sobre os principais aeroportos do país, em Nova Déli, Mumbai e Bangalore, onde não há quase nenhum slot de pouso disponível.

A infraestrutura da maioria dos aeroportos parados — pistas, torres de controle, terminais e galpões de manutenção — está inutilizável após décadas de negligência.

É aí que entra a estratégia anfíbia da SpiceJet. A aeronave Kodiak, que acomoda entre 10 e 14 passageiros, pode decolar ou pousar em uma faixa de água ou terra de 300 metros e tem autonomia de 1.000 quilômetros. Esta é aproximadamente a distância entre Mumbai e Bangalore.

O contrato de venda poderia ser concluído em apenas três meses, informou a SpiceJet. Os aviões, fabricados pela Quest Aircraft, com sede em Sandpoint, Idaho, EUA, podem permitir que a SpiceJet pouse em 300 dos aeroportos atualmente não utilizados da Índia, disse Okazaki.

“A lógica básica para isso é que na Índia precisamos de conectividade no último trecho”, disse Singh. “O avião anfíbio abre muitas áreas, cria muita flexibilidade.”

–Com a colaboração de Iain Marlow Kiyotaka Matsuda e Hannah Dormido

Fonte: UOL

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