Comentário
 
A Medalha
Altair Pimpão

Parece que no Brasil ainda não se descobriu o que deve motivar uma
homenagem. Seja para se entregar o título de cidadão, admitir alguém numa
academia de letras, conferir uma alta insígnia o motivo não passa pela mais
leve crítica. Em vez de se estudar o que o cidadão fez pela cidade ou pelo
estado, de se analisar quais as obras escritas pelo agraciado, de se
pesquisar o que de importante o cidadão fez por esta ou aquela instituição,
aqui o objetivo é só agradar alguém. Os responsáveis não vêem que isto
desmerece a premiação. Assim a premiação em profusão. Quando todo mundo
ganha um diploma, nenhum dos ganhadores dá valor ao prêmio. A inflação de
diplomas, de medalhas e troféus tornam estes sem importância. Mas nem a
Força Aérea Brasileira tem o cuidado necessário ao entregar sua
condecoração. Ora, entregar a Medalha de Honra ao Mérito Santos Dumont à
Dona Marisa é brincadeira. O que foi que a mulher do presidente fez para
receber a medalha? Ela nem fala. E quando fala diz que pediu cidadania
italiana para os filhos para terem um futuro melhor. Nunca antes neste país
a mulher do presidente demonstrou tanta falta de confiança no torrão natal e
no taco do marido.  A FAB, pelo relevantes serviços prestados à pátria, não
precisa gastar um bem precioso apenas para puxar o saco do presidente da
república. O máximo que Dona Marisa fez pela aviação foi acompanhar o marido
na longa peregrinação que tem feito pelo mundo. Talvez a medalha foi dada
pelas horas de vôo no Aérolula.


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