Há 40 anos, Pelé era campeão em seu último jogo oficial

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Há 40 anos, Pelé encerrava seu legado como “revolucionário” do futebol nos Estados Unidos. No Civic Stadium (atual Providence Park), um estádio de beisebol adaptado às pressas, com capacidade para 27.400 pessoas e um público presente de 35.548 torcedores, o Rei realizou sua última partida oficial de futebol.

“Eu quero retirar-me como campeão”, disse Pelé à época à Gazeta Esportiva. E assim foi. No dia 28 de agosto de 1977, vestindo a camisa verde e o calção branco do Cosmos, de Nova York, Pelé venceu o Sounders, de Seattle, e se sagrou campeão da Liga Norte Americana de Futebol (NASL). No confronto, o gênio viu sua equipe triunfar por 2 a 1 e, o fato de não ter balançado as redes, não incomodou o brasileiro.

“Não estou triste. Tentei, dei meus chutes, mas não foi possível. O importante é que vencemos e não me importa quem fez os gols porque somos uma equipe”, disse o craque à Gazeta Esportiva.

Manchete interna do jornal A Gazeta Esporta do dia 29 de agosto de 1977 (Foto: reprodução)

Ainda que não tenha deixado seu gol, a atuação de Pelé esteve longe de ser irrelevante. A Gazeta Esportiva relatou que, mesmo aos 37 anos, o craque teve lances que lembraram seus melhores tempos, quando defendeu o Santos e a Seleção Brasileira.

“Pelé trouxe credibilidade à nossa liga”, disse Phill Woosnam, presidente da NASL. Uma semana antes da final, o Cosmos colocou 77.691 pessoas em seu estádio para ver o Rei, e a média de público pífia do campeonato americano nos últimos três anos subiu para 33 mil torcedores, maior do que a do Campeonato Paulista, que tinha grande prestígio à época.

Mas o camisa 10 não dava seu show sozinho. Franz Beckenbauer, o italiano Giorgio Chinaglia e o capitão do tri, Carlos Alberto Torres também estavam no esquadrão nova-iorquino, e o alemão foi inclusive escolhido como o melhor jogador do torneio, recebendo um Toyota Celica 1977, cor vinho, e um cinzeiro de prata.

No entanto, apesar dos astros, foi o jovem de 21 anos, Steve Hunt, quem brilhou na partida. O britânico anotou o primeiro gol, e, após o Cosmos sofrer o empate, deu assistência para Giorgio Chinaglia fechar o marcador e decretar a vitória. Após o confronto, o jogador, que venceu o prêmio de revelação do campeonato, dividiu os méritos com o Rei.

“Essa foi uma das muitas coisas que Pelé me ensinou e por isso eu senti que deveria jogar o dobro para premiá-lo”, disse Hunt, à Gazeta Esportiva. O britânico só deixou a humildade de lado quando questionado se deveria receber um aumento pela atuação decisiva em meio à tantos craques. “Claro que sim! Muito mais!”

O regulamento da NASL previa que a final deveria ser disputada em campo neutro, e o estádio sorteado, em Portland, fica a apenas 280 km de Seattle, o que fez com que 90% do público da decisão fosse do Sounders. Mesmo assim, ao apito final, Pelé foi carregado entusiasticamente pelos torcedores, que invadiram o gramado. Depois disso, ele nunca mais calçou as chuteiras para jogar uma partida competitiva.

O Cosmos tinha uma turnê mundial para realizar nos meses seguintes, com partidas contra as seleções de Trinidad, China e Japão, mas a despedida de Pelé ocorreu 34 dias depois, em Nova York, em jogo amistoso entre Santos e Cosmos. Na ocasião, o Rei atuou um tempo em cada equipe, e marcou um gol de falta na segunda etapa, vestindo a camisa do clube do coração, que foi derrotado por 2 a 1.

“Certamente Pelé pode dizer-se recompensado pelo estímulo e dinâmica que consegui dar ao futebol dos Estados Unidos. Ele tirou a frieza do povo para o esporte e aliou sua arte a tecnologia norte-americana. Hoje, o futebol nos Estados Unidos é um misto de arte (dentro de campo)  alto grau de sofisticação fora dele com aparelhagem de vídeo-tape completa para que o público e autoridades dissipem suas dúvidas sobre os lances mais discutidos”, relatou a Gazeta Esportiva à época.

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