Grupo que operava falsas lojas virtuais movimentou R$ 15 milhões

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Um esquema de lojas virtuais montadas na região que vendiam produtos pela internet para todo o país, mas nunca entregaram nada aos compradores. Este foi o alvo da primeira grande operação do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) de Blumenau. Na manhã desta quarta-feira, um grupo de 70 pessoas formado por agentes do Gaeco e policiais civis e militares deflagrou a Operação Off-Line, que cumpriu mandados em oito cidades: Blumenau, Gaspar, Ilhota, Piçarras, Barra Velha, Jaraguá do Sul, Joinville e Rio dos Cedros.

A investigação que levou ao grupo criminoso começou em março. O promotor Odair Tramontin, da 15ª Promotoria de Justiça e responsável pelas ações do Gaeco, explicou em entrevista coletiva que o esquema ocorria desde 2013 e teria movimentado cerca de R$ 15 milhões. As investigações conseguiram identificar até esta quinta 19 lojas virtuais, mas os envolvidos afirmaram que teriam movimentado mais de 100 ao longo deste período. Não há um número de quantas pessoas teriam sido lesadas no total, mas a fraude fez vítimas por todo o país, em estados como Goiás, Mato Grosso e Pará.

No total foram cumpridos sete mandados de prisão preventiva, nove de prisão temporária, três de condução coercitiva e 20 mandados de busca e apreensão, todos expedidos pelo juízo da 1ª Vara Criminal de Blumenau. Dois dos principais suspeitos não foram encontrados pela manhã. Tiago Haveroth, de 28 anos, foi apontado pelo promotor Odair Tramontin como mentor da operação, ao lado da companheira dele, Vanessa Rodrigues Pereira, 22. Segundo o promotor, eles teriam base em Ilhota, mas já teriam residido em cidades como Blumenau, Gaspar e Florianópolis e também Anápolis (GO) e Goiânia (GO). No início da noite, porém, a  informou que os dois foram presos. Não foi informado se a dupla já tinha advogados constituídos.

Com isso, 17 pessoas seguiam detidas até esta quarta-feira – uma pessoa não citada nos mandados foi presa em flagrante por porte de arma. Mas novas prisões também não estão descartadas já que no esquema apresentado pelo MP haveria 28 pessoas ligadas de alguma forma à fraude.

Fotos revelavam ostentação dos envolvidos
O morador de Canaã dos Carajás (PA), Odair José Acelino da Silva, 45 anos, comprou uma TV 58 polegadas em janeiro deste ano pela Star Varejo, uma das falsas lojas que segundo o promotor era mantida pelo grupo. Depois de 20 dias sem receber o produto, tentou contato e publicou seu relato em uma avaliação do site na internet. Nunca mais foi atendido pelos vendedores. Acionou o Procon e, há um mês, moveu um processo e ainda se mostra esperançoso em tentar ressarcir o valor.

Criminosos ostentavam dinheiro nas redes sociaisFoto: Gaeco / Divulgação

– Na época eu nem pesquisei muito, mas lembro que estava uns R$ 600 mais barato que em outros sites. Hoje continuo comprando na internet, mas pesquiso muito mais e só frequento sites que já conheço e que são confiáveis – conta.

No melhor estilo ostentação, alguns dos suspeitos postavam no Facebook e em outras redes sociais fotos com maços de dinheiro dentro de carros de luxo e em festas em casas noturnas. As imagens chamaram a atenção do promotor, que se surpreendeu também pelo perfil jovem dos envolvidos – 80% deles, segundo Tramontin, tinham entre 19 e 24 anos.– Eram todos jovens, inteligentes e muito bem desenvolvidos, embora nenhum deles tivesse formação superior em áreas como informática, por exemplo – conta o promotor.Segundo o MP os suspeitos devem ser indiciados por estelionato e organização criminosa. Agora a investigação vai aprofundar a participação de cada um dos suspeitos detidos nesta quarta para decidir se pede a soltura ou a manutenção das prisões. Conversas mantidas por computadores e celulares apreendidos devem ajudar na sequência da apuração.

Investigação localizou fotos nas redes sociais dos envolvidosFoto: Gaeco / Divulgação

Como funcionava o esquema

LOJAS VIRTUAIS
– Os criminosos criavam lojas virtuais e anunciavam produtos – a maioria deles eletrônicos, mas também outros artigos como pneus – a preços atrativos, mas não tão menores que os das concorrentes. – Os sites ofereciam descontos para estimular o pagamento à vista via depósito bancário.

PRÉDIOS DE ¿FACHADA¿
– Os suspeitos chegavam a alugar imóveis em cidades da região por alguns dias, instalar placas e adesivos e fazer fotos da fachada que eram publicadas nos sites das lojas virtuais. – Vídeos com depoimentos de comparsas se passando por clientes satisfeitos com as compras também eram postados. Tudo para tentar dar credibilidade e confiança aos compradores.

DINHEIRO EM CONTAS BANCÁRIAS
– Os criminosos abriam contas bancárias em nome de ¿laranjas¿ que recebiam de 10% a 15% dos valores movimentados. Segundo o delegado da Polícia Civil Paulo Koerich eles chegavam a gerenciar até quatro lojas virtuais simultaneamente.

– Apenas uma loja era capaz de movimentar de R$ 150 mil a R$ 200 mil por mês. Os valores eram sacados das contas e distribuídos em dinheiro. Muitos exibiam fotos em redes sociais com grandes somas em cédulas.

– Como eram volumes altos, parte chegava a ser bloqueada pelos bancos para saque e não era sequer reivindicada pelos titulares, que já operavam novas lojas virtuais.

SUMIÇO E NOVAS LOJAS
– Em um tempo médio de três semanas a um mês, quando começavam a surgir queixas na internet e até boletins de ocorrência pela demora na entrega dos produtos, o grupo deixava de responder os compradores, tirava os sites do ar, desmontava a loja virtual e abria outra, com outro nome.

– Eles teriam agido assim desde 2013 e teriam movimentado cerca de R$ 15 milhões, segundo o promotor de Justiça Odair Tramontin.

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