Com maior nota do dia, Medina se empolga para quebrar escrita de 33 anos em J-Bay

0

Foram três manobras com alto grau de radicalidade seguidas de um tubo dito impossível. Foi tanto tempo espremido na parede de água que Gabriel Medina surpreendeu ao surgir de volta à vista do público. Agradou não só a torcida que acompanha a etapa de Jeffreys Bay do Circuito Mundial de surfe como também aos jurados, recebendo três notas 10 e ficando com 9.93, a maior nota do primeiro dia de competição, após os descartes. Um resultado que representa o reencontro do brasileiro com seu melhor surfe e um ânimo a mais para quebrar um tabu de 33 anos.

+ Medina, Mineirinho, Ítalo, John John e Parko dominam rivais na estreia em J-Bay

Medina já liderava a 10ª bateria, na qual enfrentou o compatriota Caio Ibelli e o australiano Stuart Kennedy, quando tirou um coelho da cartola. O local, batizado de “Impossibles” (impossíveis, na tradução do inglês), fez jus ao apelido ao apresentar uma onda tão difícil. E o brasileiro soube extrair o melhor dela, enganando até os narradores, que acreditaram que ele tivesse sido imprensado pela coluna d´’agua.

Medina saiu inteiro e comemorando muito. Mostrou que a paciência para escolher as ondas tinha compensado diante da qualidade na execução de suas manobras.

– Tenho assistido a diversas baterias nesta manhã e eu queria pegar a primeira onda grande. Tive de esperar um pouco, mas valeu a pena por ter sido uma boa onda. E depois eu peguei aquele tubinho, foi bem divertido. Eu estou amarradão por ter vencido a bateria. Está bem divertido. Às vezes, demora um pouco (entre uma série e outra), mas, quando vem, é tão divertido. Você anda rápido pela linha da onda, aplica algumas manobras e encontra tubos. Eu queria ter a certeza de que eu ia pegar a maior. Me fez me sentir bem – disse, em entrevista à WSL.

Gabriel Medina recebe a maior nota do dia: alto grau de radicalidade e um tubo Gabriel Medina recebe a maior nota do dia: alto grau de radicalidade e um tubo

Gabriel Medina recebe a maior nota do dia: alto grau de radicalidade e um tubo “impossível” (Foto: WSL)

O começo eleva o moral de Medina, que até então não faz uma boa temporada. Depois de ficar em 3º na etapa de Gold Coast, na abertura do Circuito Mundial, o brasileiro oscilou muito. Nas últimas três etapas acumulou eliminações precoces e atualmente está em 11º lugar no ranking.

Em J-Bay o desafio é não só reverter esse cenário, mas também quebrar um tabu de mais de três décadas. Medina é goofy, nome dado àqueles que surfam com o pé direito à frente na prancha. Nas ondas sul-africanas, os goofys surfam a onda de costas (backside). O último campeão da etapa com tais características foi Mark Occhipulo, em 1984. Lá se vão 33 anos.

– Quando a onda é muito rápida, é bem difícil. De frontside (ter a onda em sua frente), fica mais fácil de pensar e de projetar o que você vai fazer. Dependendo do movimento, você perde a onda, é preciso escolher rápido e é difícil de ler a onda (de backside). Em J-Bay você nunca sabe o que vai acontecer, por isso, é preciso ter uma boa leitura. Nem consigo imaginar se eu fosse regular (surfaria de frente pra onda em J-Bay), seria tão divertido…

Com o resultado deste sábado, Medina avançou direto para o round 3. Seus adversário será definido apenas após a disputa da repescagem. Além do campeão mundial de 2014, Mineirinho e Ítalo Ferreira foram os brasileiros a vencer na estreia. Filipe Toledo, Caio Ibelli, Ian Gouveia, Wiggolly Dantas e Jadson André disputarão a repescagem. A próxima chamada será às 2h15 (de Brasília) da madrugada deste domingo, e o SporTV.com transmite e acompanha em Tempo Real com vídeos.

Os resultados de todas as baterias da 1ª fase em J-Bay:

1: Joel Parkinson (AUS) 14.23, Wiggolly Dantas (BRA) 13.60, Miguel Pupo (BRA) 10.33
2: Owen Wright (AUS) 11.16, Bede Durbidge (AUS) 13.84, Josh Kerr (AUS) 9.00 (interferência)
3: Adriano de Souza (BRA) 13.83, Frederico Morais (PRT) 13.73, Jadson André (BRA) 12.57
4: Matt Wilkinson (AUS) 9.87, Jeremy Flores (FRA) 17.00, Ethan Ewing (AUS) 9.93
5: Jordy Smith (AFS) 14.76, Conner Coffin (EUA) 17.04, Michael February (AFS) 12.40
6: John John Florence (HAV) 19.37, Ian Gouveia (BRA) 13.03, Dale Staples (AFS) 16.03
7: Kolohe Andino (EUA) 7.83, Italo Ferreira (BRA) 15.27, Leonardo Fioravanti (ITA) 11.24
8: Julian Wilson (AUS) 15.84, Kelly Slater (EUA) 16.27, Kanoa Igarashi (EUA) 8.77
9: Connor O’Leary (AUS) 11.00, Adrian Buchan (AUS) 13.66, Jack Freestone (AUS) 16.00
10: Gabriel Medina (BRA) 18.83, Caio Ibelli (BRA) 9.17, Stuart Kennedy (AUS) 14.77
11: Sebastian Zietz (HAV) 9.83, Mick Fanning (AUS) 17.23, Joan Duru (FRA) 6.17
12: Michel Bourez (TAH) 16.67, Filipe Toledo (BRA) 15.17, Ezekiel Lau (HAV) 10.60

As baterias da repescagem

1: Jordy Smith (AFS) vs. Dale Staples (AFS)
2: Matt Wilkinson (AUS) vs. Michael February (AFS)
3: Owen Wright (AUS) vs. Ethan Ewing (AUS)
4: Kolohe Andino (EUA) vs. Jadson Andre (BRA)
5: Julian Wilson (AUS) vs. Josh Kerr (AUS)
6: Connor O’Leary (AUS) vs. Miguel Pupo (BRA)
7: Sebastian Zietz (HAV) vs. Leonardo Fioravanti (ITA)
8: Filipe Toledo (BRA) vs. Kanoa Igarashi (EUA)
9: Caio Ibelli (BRA) vs. Stuart Kennedy (AUS)
10: Adrian Buchan (AUS) vs. Joan Duru (FRA)
11: Wiggolly Dantas (BRA) vs. Ezekiel Lau (HAV)
12: Frederico Morais (PRT) vs. Ian Gouveia (BRA)

Share.

About Author

Leave A Reply