Chapecoense vê valor da marca crescer, e plano de sócios amplia quase quatro vezes

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Praticamente desconhecida fora do Sul do país há pouco mais de 10 anos, a Chapecoense teve ascensão meteórica da Série D para a Série A. Mas, fora das quatro linhas, foi nos últimos 12 meses que o Verdão teve índices catapultados, deixando de ser um clube local para se tornar uma marca global. O motivo, porém, é aquele pelo qual entidade alguma gostaria de ser lembrada: o acidente aéreo que vitimou 71 pessoas – entre atletas, comissão técnica, dirigentes, convidados e jornalistas – que se dirigiam para a final da Copa Sul-Americana, na Colômbia, em 29 de novembro.

A reconstrução de um time inteiro foi um dos grandes desafios esportivos. Mas o incentivo para que se tivesse êxito – concretizado pela confirmação da permanência na Série A – veio por meio do apoio das pessoas. O número de sócios saltou de nove mil para 34 mil, incluindo torcedores até do Reino Unido.

A internacionalização da Chapecoense passou também pelo convite para disputar o troféu Joan Gamper, contra o Barcelona. O time catarinense fez ainda amistosos contra o Lyon, da França, e contra a Roma, da Itália. Na mesma viagem, a delegação foi recebida pelo Papa Francisco no Vaticano. O clube foi ainda até o Japão para disputar a Copa Suruga contra o Urawa Red Diamonds. A Chape também participou pela primeira vez da Libertadores.

– A Chapecoense já vinha chamando a atenção pelos resultados em campo e por sua gestão. Mas, com a tragédia, a marca do clube extrapolou fronteiras – avalia Pedro Daniel, economista e gerente de esportes da BDO, empresta que presta consultoria em diversos países.

A consultoria divulgou um estudo em setembro apontando que a Chapecoense foi o clube cuja marca mais cresceu entre os times da Série A, com impressionantes 546% em cinco anos.

– São números que não levam em conta o efeito pós-tragédia. A tendência é de que a marca se valorize ainda mais com essa exposição internacional e com a permanência na Série A – ressalta.

Um dos motivos para a boa avaliação da marca era a inexistência de dívidas. As ações de familiares, contudo, podem gerar um passivo para o clube, que tem um patrimônio pequeno, já que a Arena Condá pertence à Prefeitura de Chapecó e o centro de treinamentos fica em uma área cedida em comodato. Na avaliação do consultor, a Chape tem que ter cuidado para não dar um passo além de suas possibilidades.

– Atingiu um patamar diferente, com um potencial interessante e pode galgar novos passos, talvez buscando um domínio regional, mas ainda não é um clube que vai disputar um título Brasileiro e nem disputar com frequência a Libertadores. Tem que consolidar sua posição para não ficar como outros clubes como Portuguesa, Guarani e São Caetano – cita.

Diretor de marketing da Chapecoense, João David de Nes Filho diz que um dos maiores desafios foi administrar esse crescimento do clube, que se tornou o sétimo maior do país em seguidores nas redes sociais. A presença internacional da Chape deve ser mantida com três amistosos no exterior em 2018.

– O que ocorreu provocou uma tristeza no mundo inteiro, todo mundo quis ajudar e os amistosos fizeram com que a marca do clube se tornasse global. O grande desafio com essa exposição maior, em escala global, foi manter a essência do clube, de humildade, respeito – avalia.

Em Chapecó, foi criado para esta semana um trajeto dentro do estádio, em que o torcedor passará pelo corredor de acesso aos vestiários, onde haverá imagens de jogadores, membros da comissão técnica e diretoria, vítimas do acidente. Outro projeto é criar um memorial para expor troféus e imagens históricas do clube.

– Não tem dia que não venha ônibus, estudantes ou turistas tirar foto. Teve uma família que veio de Vitória, do Espírito Santo, porque o filho queria conhecer o estádio – conta João David.

Fonte: DIÁRIO CATARINENSE

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